No último sábado, dia 11, véspera do dia das crianças foi algo peculiar. Tive por duas vezes no Mercado Central da cidade e após ter a intenção apenas de fazer um contato, me deparei com algumas situações inusitadas. Embora na primeira vez não tenha encontrado com um amigo, dono de um Box do estabelecimento, voltei no horário do almoço.

Fim de feira, mas com uma chance mais abrangente de encontro, após nossa conversa e já de saída me encontro com minha mãe na entrada, ela disse que iria comprar um peixe pro almoço, então lá fomos nós.

Alguns boxes já estavam fechados e outros sendo limpos, obviamente indispostos para atendimento. Ao encontramos um em funcionamento era visível a presença de uma família, mãe, filho, filha e seu respectivo esposo que não estava nas suas condições mais lúcidas. Totalmente bêbado e caçando conversa com a esposa, pedindo mais dinheiro para a pinga, essa por sua vez pedia uns trocados que sua mãe lhe devia, seu irmão vendo isso disse que também queria um trocado e restava eu, assistindo aquela novela, sorri demais com a situação. A mãe tinha ido comprar verduras, e logo que voltou lembrou que faltavam os mantimentos. Conheço bem o Mercado e sabia que possuía boxes de carnes, verduras, temperos, peças artesanais, etc. Mas nunca havia atentado que também existiam quitandas, pequenos comércios que vendem alimentos não-perecíveis em porções e outros. Foi aí que percebi todo o lugar, as pessoas que ali passavam, que ali trabalhavam e exatamente no instante em que chegamos para comprar arroz, feijão, farinha e afins havia uma mulher, ‘bicheira’, oferecendo um bingo ou jogo do bicho, algo do tipo para o quitandeiro e ele só disdobrando, deixando pro amanhã eu boto o ponto pra depois. Comecei a observar o vendedor de raízes abrindo sua pochete e contando seu dinheiro da venda diária, daí quando pedimos uma caixa a ele para colocar as compras, já que o quitandeiro escolhido não tinha, ele de bate pronto disse:

– Se a senhora tivesse comprado aqui, ganhava a caixa, como não fez, eu vendo.

A mãe falou pro quitandeiro escolhido:

– Moço, se vire, tô comprando com você, quero uma caixa.

O quitandeiro:

– Ou Zé, arruma uma caixa aí, deixa de besteira.

E o Seu Zé dispôs a caixa. O mais engraçado foi a expressão que ele fez para ceder uma caixa que depois de alguns minutos provavelmente iria pro lixo. Depois de comprar enlatados, mantimentos, frutas e material de limpeza me peguei fazendo compras num supermercado, pois o simples quitandeiro puxava as coisas da prateleira que pareciam não ter limite. Ainda vi uma vantagem, levamos tanta coisa e por um valor bem abaixo do normal, sabe o que foi o melhor? Não enfrentar fila, além de sorrir dos vendedores de peixes, das embalagens disponíveis, do atendimento peculiar, dos momentos de alegria e chateação de um povo simples, da secretária de orelhão público que estava ali com sua cadeira a postos, caso o telefone chamasse. Me presenteei.

No calor de Teresina, com certeza vale uma visita no Mercado Central e olha que nem falei das peças artesanais, dos artigos regionais, dos mulambos que só ali são encontrados.

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