Um indivíduo desde criança participa de eventos culturais no colégio, olimpíadas de conhecimento, gincanas esportivas e assim vai se dedicando às atividades extra-curriculares até o final do ensino médio. Passa no Vestibular, cursa normalmente algum bacharelado da área de humanas e tem um índice acadêmico modesto, participa de seminários, congressos e se achar pouco pensa pentelha até no departamento acadêmico do curso, torna-se conhecido, consegue exercer seu papel de estudante universitário, participa de discussões para a melhoria da instituição e como resultado surge um militante ativo em defesa de um Estado melhor para todos. Sic, sic.

Formado, segue carreira profissional de acordo com o que foi planejado, recebe o convite para filiar-se a alguma sigla partidária e daí começa, por exemplo a estar mais presente no cotidiano de alguma classe, seja no sindicato, na empresa na qual trabalha, na sua rede de contatos, através de um blog, por não? ou ainda, por que tem condições financeiras relativamente consideráveis, digo, tem o alcance de beneficiar algum evento esportivo, uma doação de material de construção, ou ainda falar com seus candidatos para criar ou fiscalizar alguma medida que o seu bairro vem necessitando há alguns meses.

Após alguns anos, no máximo um intervalo entre uma eleição e outra, ele se mostra positivo, reconhecido, alguns falam ao seu ouvido que ele tem respeito da sua comunidade. Ele se adequa a isso e pensa em lançar a sua candidatura. Mas é claro, todos podem, por não poderia? Depois de tanto esforço, ele queria mesmo era liderar alguns peões ou simplesmente ocupar uma cadeira na Câmara Municipal, para em seguida quem sabe alçar vôos maiores. Ir para Assembléia ou Palácio da Cidade cai muito bem, diga-se de passagem.

Essa seria a tarefa mais simples de todas, para se candidatar só é preciso registrar o seu nome, aguardar uma convenção de fachada, declarar um bem, até uma caneta serve e seguir com o seu ideal. Até por que a sociedade não exige nenhum centavo ou intelecto para que aquele cidadão, esteja ali, abanando sua mão e fingindo um olá com um sorriso amarelado estampado na cara cínica.

Talvez um método básico, uma prova teórica, um projeto, uma ação (prática) e um exercício simples,
sim, em resumo, uma espécie de concurso já definiria melhor as alternativas que fossem disponíveis. Talvez! Mas não basta aplicar questões num vestibular se depois você não vai certificar que o seu representante está literalmente fazendo esse papel.

Por que não é aceitável as pessoas estarem presentes em horários eleitorais sem uma noção de cidadania,
apresentando seus números circenses e recebendo gargalhadas como pagamento hoje e amanhã reclamações dispensáveis já que os escolhidos não fazem jus ao voto dado ontem por você.

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